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	<title>Opinião Archives - My Hematologia</title>
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	<description>Plataforma multimédia dirigida à comunidade médica da área da Hematologia e outros profissionais de saúde envolvidos no tratamento das doenças hematológicas.</description>
	<lastBuildDate>Tue, 12 May 2026 14:50:01 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Opinião Archives - My Hematologia</title>
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	<item>
		<title>Terapêutica com IgG: novas indicações e desafios no consumo e gestão</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/terapeutica-com-igg-novas-indicacoes-e-desafios-no-consumo-e-gestao/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Joana Graça]]></dc:creator>
		<pubDate>Tue, 28 Apr 2026 16:13:28 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito da Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias, que se assinala de 22 a 29 de abril, Susana Lopes da Silva, do Hospital Lusíadas de lisboa, analisa os desafios crescentes da utilização de imunoglobulina G (IgG) em Portugal. Num cenário de alargamento das indicações terapêuticas, a especialista reflete sobre a necessidade urgente de uma gestão [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da Semana Mundial das Imunodeficiências Primárias, que se assinala de 22 a 29 de abril, <strong>Susana Lopes da Silva</strong>, do Hospital Lusíadas de lisboa, analisa os desafios crescentes da utilização de imunoglobulina G (IgG) em Portugal. Num cenário de alargamento das indicações terapêuticas, a especialista reflete sobre a necessidade urgente de uma gestão racional do plasma. O artigo de opinião destaca a importância da seleção criteriosa de doentes e a aposta na administração domiciliária como pilares para garantir a sustentabilidade do sistema e a qualidade de vida dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos, tem aumentado significativamente a utilização terapêutica de imunoglobulina G (IgG) a nível internacional e também no nosso país. Esta realidade resulta da valorização da terapêutica substitutiva num espectro crescente de Erros Inatos de Imunidade (EII), anteriormente denominadas imunodeficiências primárias. Em paralelo, tem aumentado o consumo de IgG em doentes com imunodeficiências secundárias, sobretudo decorrentes do tratamento de doença hemato-oncológica, mas também em outros contextos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapêutica substitutiva com IgG em crianças e adultos com défice de produção de anticorpos é fulcral para garantir a qualidade de vida dos doentes, particularmente nos EII. Historicamente, a melhoria do acesso a esta terapêutica e otimização da dose administrada permitiram diminuir a ocorrência de infeções bacterianas graves.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em paralelo, verifica-se o seu uso crescente em doenças autoimunes e inflamatórias, frequentemente em esquemas posológicos com doses elevadas, ditas imuno-moduladoras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este alargamento do espectro clínico tem levado a um aumento substancial do consumo de IgG, com impacto direto na gestão dos recursos hospitalares e na disponibilidade do produto, que depende do fracionamento do plasma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A administração de IgG por via subcutânea, surge como uma solução estratégica para reduzir a pressão sobre os serviços hospitalares associada à clássica administração por via endovenosa. Não sendo necessariamente uma solução universal, para todos os indivíduos ou em todas as fases, a terapêutica no domicílio permite melhorar a qualidade de vida dos doentes e manter a adesão terapêutica, facilitando a conjugação com a vida profissional e escolar/laboral. Mais recentemente, a via subcutânea facilitada possibilitou diminuir a frequência de administração, acentuando estas vantagens.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terapêutica domiciliária exige, contudo, um acompanhamento estruturado, com suporte de enfermagem e educação do doente/família, garantindo segurança e adesão ao tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, neste panorama de crescimento da utilização de IgG, importa recordar o elevado custo associado a esta terapêutica e a potencial escassez da matéria-prima – plasma humano. É fundamental garantir que os doentes que beneficiam desta terapêutica são corretamente selecionados. Torna-se assim essencial a implementação de recomendações clínicas claras, que orientem a indicação de IgG em diferentes contextos, tanto no tratamento de imunodeficiências como em doenças autoimunes.&nbsp;</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="wp-block-paragraph">Em Portugal, é particularmente óbvia a necessidade de ponderar cuidadosamente o fracionamento local do plasma, recurso limitado e dependente de doações. Este tema tem sido recentemente discutido a nível nacional, refletindo a crescente preocupação com a sustentabilidade dos medicamentos derivados do plasma. </p>
</blockquote>



<p class="wp-block-paragraph">A otimização do seu uso não é apenas uma questão económica, mas também ética, garantindo que todos os doentes elegíveis possam beneficiar do tratamento. Em paralelo, a utilização de plasma nacional permite reduzir a dependência de importações e melhorar a segurança de abastecimento, tendo ainda vantagens epidemiológicas óbvias para os doentes.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em resumo, a expansão das indicações para IgG exige uma abordagem integrada: seleção criteriosa de doentes, adesão à terapêutica, promoção da administração domiciliária sempre que possível e gestão racional do plasma. Estes passos são essenciais para assegurar que o aumento do consumo de IgG se traduza em ganhos reais para os doentes, sem comprometer a sustentabilidade do sistema de saúde.</p>
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		<item>
		<title>Principais destaques sobre o uso de quadrupletos em primeira linha no tratamento de mieloma múltiplo e sua relevância para a prática clínica nacional</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/principais-destaques-sobre-o-uso-de-quadrupletos-em-primeira-linha-no-tratamento-de-mieloma-multiplo-e-sua-relevancia-para-a-pratica-clinica-nacional/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Luis Paiva]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 16:47:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito da 67th American Society of Hematology (ASH) Annual Meeting and Exposition (ASH 2025), Rui Bergantim, especialista em Hematologia Clínica na Unidade Local de Saúde (ULS) de São João, do Porto, analisa os principais destaques do evento, com enfoque no tratamento do mieloma múltiplo recém-diagnosticado (ndMM) e na forma como a “incorporação de anticorpos [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito da 67<sup>th</sup> <em>American Society of Hematology</em> (ASH) <em>Annual Meeting and Exposition</em> (ASH 2025), <strong>Rui Bergantim</strong>, especialista em Hematologia Clínica na Unidade Local de Saúde (ULS) de São João, do Porto, analisa os principais destaques do evento, com enfoque no tratamento do mieloma múltiplo recém-diagnosticado (ndMM) e na forma como a “incorporação de anticorpos monoclonais anti-CD38 em esquemas tripletos previamente estabelecidos” pode representar “verdadeira mudança de paradigma”. Leia o artigo de opinião na íntegra.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A abordagem do mieloma múltiplo recém-diagnosticado (ndMM) passa atualmente por uma mudança profunda e inevitável com a consolidação dos quadrupletos como abordagem padrão no tratamento de primeira linha (1L). A incorporação de anticorpos monoclonais anti-CD38 em esquemas tripletos previamente estabelecidos representa não apenas um avanço terapêutico, mas também uma verdadeira mudança de paradigma, apoiada por uma sólida base biológica, benefícios clínicos consistentes e recomendações internacionais [1].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tanto na população elegível para transplante (TE) quanto na população não elegível para transplante (TNE), vários ensaios clínicos randomizados de fase III demonstraram consistentemente que os quadrupletos em 1L melhoram significativamente a profundidade e a durabilidade da resposta em comparação com os resultados prévios com tripletos. Esses benefícios refletem-se em respostas mais profundas, maior número de respostas completas e, fundamentalmente, na negatividade da doença residual mensurável (MRD) para sensibilidades de 10⁻⁵ a 10⁻⁶. Dada a forte associação entre a negatividade da MRD e os resultados a longo prazo, incluindo a sobrevivência livre de progressão (PFS) e a sobrevivência global (OS), a capacidade dos quadrupletos de induzir remissões mais profundas no início do tratamento do MM é de grande relevância clínica [2].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em <strong>doentes TE</strong>, a incorporação de anticorpos anti-CD38 na indução baseada em VRD (bortezomib, lenalidomida e dexametasona) traduziu-se em taxas superiores de negatividade de MRD antes e após o transplante autólogo de progenitores hematopoiéticos (TAPH), bem como taxas mais elevadas de MRD negativa sustentada ao longo do tempo, sem comprometer a mobilização de progenitores hematopoiéticos ou a viabilidade do TAPH, e sem toxicidade acrescida. Os regimes de indução atualmente recomendados são daratumumab-VRD (Dara-VRD) e isatuximab-VRD (Isa-VRD), apoiados pelos ensaios PERSEUS e GMMG-HD7, respectivamente[1]. Nesta última edição da ASH, foram partilhados dados de qualidade de vida relacionada com a saúde (HRQoL) avaliados no ensaio GMMG-HD7, demonstrando que o uso do quadrupleto Isa-VRD preserva a HRQoL global durante a indução e o TPAH, e está associado a uma redução significativa da fadiga e a uma tendência favorável na redução da dor em comparação com o VRD. Esses dados reforçam que o aumento da intensidade do tratamento com quadrupletos não se traduz em pior experiência para o doente e não deve representar uma barreira à sua implementação na prática clínica[3].</p>



<p class="wp-block-paragraph">Relativamente aos <strong>doentes idosos e TNE</strong>, os quadrupletos também demonstraram melhorias significativas na profundidade da resposta e na PFS em comparação com os tripletos, incluindo em subgrupos frágeis selecionados. Embora o ensaio MAIA tenha estabelecido o Dara-RD como um pilar fundamental no tratamento de 1L do MM, estudos mais recentes que incorporam um inibidor de proteassoma desafiam esses resultados, especialmente em doentes com idade inferior a 80 anos e pontuação de fragilidade &lt;2 no IMWG <em>Frailty Score</em>. Os ensaios IMROZ, BENEFIT e CEPHEUS mostraram que a incorporação de um anticorpo anti-CD38 aos regimes baseados em VRD resulta em respostas mais profundas, taxas mais elevadas de negatividade da MRD e uma melhoria consistente da PFS, mesmo em doentes idosos selecionados pelo IMWG <em>Frailty Score</em> [1]. Nesta edição da ASH, uma análise conjunta do IMROZ e de estudos de fase 1b confirmou que o Isa-VRD mantém altas taxas de resposta, negatividade sustentada da MRD e PFS duradoura em doentes com mais de 75 anos de idade e considerados frágis. Embora a toxicidade tenha sido mais frequente nestes doentes, as taxas de descontinuação são baixas, o que sustenta a viabilidade de quadrupletos baseados em anticorpos, incentivando a adaptação de doses sempre que necessário, e uma aposta forte nos cuidados de suporte[4]. Um outro estudo, partilhado nesta ASH, que incluiu doentes ndMM TNE tratados com Dara-VRD, mostrou que a administração semanal de bortezomib não altera os resultados de PFS e de resposta obtidos no ensaio CEPHEUS, inclusive nos doentes de alto risco, e que poderá ser uma opção útil para doentes TNE mais frágeis[5]. Estes dados desafiam a relutância histórica em usar regimes mais intensivos em doentes idosos e reforçam que uma avaliação em várias áreas de aptidão física e biológica, em vez da idade cronológica por si só, deve orientar a intensidade do tratamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Do ponto de vista do <strong>MM com características de alto risco</strong>, os quadrupletos 1L parecem particularmente impactantes. Embora os doentes com alterações citogenéticas de alto risco continuem a apresentar resultados globalmente inferiores, vários ensaios, incluindo GRIFFIN, GMMG-HD7 e BENEFIT, demonstram que o uso de quadrupletos aumenta as taxas de negatividade da MRD e prolonga a PFS em comparação com os tripletos, mitigando parcialmente o prognóstico adverso. Estratégias intensificadas baseadas em quadrupletos em MM de alto risco podem reforçar ainda mais a necessidade de intensificação precoce do tratamento neste grupo de doentes. Nesta edição da ASH, foram partilhados os resultados do ensaio RADAR, que avaliou Isa-VRDc (Isa-VRD + ciclofosfamida) em doentes ndMM com alto risco de acordo com as novas recomendações do IMS/IMWG, evidenciando uma PFS superior a 85% a 18 meses e respostas com MRD profundas e sustentadas (66,7% para além dos 12 meses desde o início do tratamento)[6].</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Os resultados partilhados ao longo deste último ano e, de certa forma, consolidados nesta edição da ASH, reforçam várias mensagens importantes sobre o uso de quadrupletos no tratamento de 1L dos doentes ndMM.</strong> Em primeiro lugar, os quadrupletos iniciais induzem consistentemente respostas mais profundas e taxas mais elevadas de negatividade MRD em diversas populações de doentes. Em segundo lugar, esses benefícios são alcançados sem comprometer a qualidade de vida, mesmo entre os doentes elegíveis para transplante submetidos a tratamento intensivo de indução. Em terceiro lugar, doentes idosos, frágeis, com insuficiência renal e de alto risco obtêm benefícios substanciais com combinações à base de anticorpos monoclonais anti-CD38 em 1L quando o tratamento é adequadamente personalizado.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Referencias</strong></p>



<ol class="wp-block-list">
<li>Dimopoulos, M.A., et al., <em>EHA-EMN Evidence-Based Guidelines for diagnosis, treatment and follow-up of patients with multiple myeloma.</em> Nat Rev Clin Oncol, 2025. <strong>22</strong>(9): p. 680-700.<br></li>



<li>Ntanasis-Stathopoulos, I., et al., <em>Upfront Anti-CD38 Monoclonal Antibody-Based Quadruplet Therapy for Multiple Myeloma: A Systematic Review and Meta-Analysis of Clinical Trials.</em> Cancers, 2025. <strong>17</strong>(12): p. 1943.<br></li>



<li>Mai, E.K., et al., <em>Health-related quality of life (HRQoL) in patients with newly diagnosed multiple myeloma (NDMM) eligible for transplantation and treated with isatuximab, lenalidomide, bortezomib, and dexamethasone (Isa-RVd) versus rvd alone: Results from part 1 of the GMMG-HD7 study.</em> Blood, 2025. <strong>146</strong>: p. 2263.<br></li>



<li>Ocio, E., et al., <em>Efficacy and safety of isa-vrd in elderly patients with or without frailty criteria: Pooled analysis of imroz and phase 1b studies in newly diagnosed multiple myeloma patients.</em> Blood, 2025. <strong>146</strong>(Supplement 1): p. 2267-2267.<br></li>



<li>Foster, L., et al., <em>Characteristics and outcomes of non-transplanted newly diagnosed multiple myeloma patients treated with daratumumab, bortezomib, lenalidomide, dexamethasone (DVRd) with once-weekly bortezomib dosing.</em> Blood, 2025. <strong>146</strong>: p. 2791.<br></li>



<li>Ramasamy, K., et al., <em>Double hit ultra-high risk myeloma treated with isatuximab, bortezomib, lenalidomide, dexamethasone and cyclophosphamide (Isa-VRDc) induction and isa-VRD consolidation: Initial results of the UK myeloma research alliance (UKMRA)  RADAR trial in newly diagnosed transplant eligible patients.</em> Blood, 2025. <strong>146</strong>(Supplement 1): p. 98-98.</li>
</ol>
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			</item>
		<item>
		<title>Dia Mundial da Trombose: a importância de conhecer e prevenir</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/dia-mundial-da-trombose-a-importancia-de-conhecer-e-prevenir/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandra Muralha]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 13 Oct 2025 09:35:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Hoje, dia 13 de outubro, assinala-se o Dia Mundial da Trombose, uma iniciativa internacional que visa alertar para a importância do tromboembolismo venoso (TEV). Como tal, a internista Inês Furtado, do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Pulmonar da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) lembra que, apesar de representar um problema de saúde pública, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Hoje, dia 13 de outubro, assinala-se o Dia Mundial da Trombose, uma iniciativa internacional que visa alertar para a importância do tromboembolismo venoso (TEV). Como tal, a internista Inês Furtado, do Núcleo de Estudos da Doença Vascular Pulmonar da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) lembra que, apesar de representar um problema de saúde pública, o TEV continua a ser subdiagnosticado. E, muitas vezes, negligenciado na sua prevenção, tendo como fatores associados&nbsp;<span class="cf0">as trombofilias</span><span class="cf0"> hereditárias ou adquiridas</span>. Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"><span class="cf0">Apesar de representar um problema de saúde pública de grande dimensão, continua a ser subdiagnosticado e, muitas vezes, negligenciado na sua prevenção.</span></p>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"> <span class="cf0">A apresentação clínica pode variar desde formas assintomáticas até quadros graves, com risco de morte súbita. A inespecificidade dos sintomas, em particular na embolia pulmonar, contribui para o atraso do diagnóstico.</span></p>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"> <span class="cf0">O TEV resulta da interação de diversos elementos descritos na clássica “tríade de Virchow”: estase venosa, lesão endotelial e hipercoagulabilidade. Entre os fatores mais relevantes destacam-se:</span></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span class="cf0">Cirurgia e traumatismos major.</span></li>



<li><span class="cf0">Internamento prolongado e imobilização.</span></li>



<li><span class="cf0">Cancro ativo e terapêutica oncológica.</span></li>



<li><span class="cf0">Gravidez e puerpério.</span></li>



<li><span class="cf0">Idade avançada, obesidade, tabagismo e sedentarismo.</span></li>



<li><span class="cf0">Trombofilias</span><span class="cf0"> hereditárias ou adquiridas.</span></li>
</ul>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"> <span class="cf0">A coexistência de múltiplos fatores potencia significativamente o risco. Na sua maioria, os episódios de TEV podem ser evitados através de estratégias preventivas adequadas.</span></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span class="cf0">Em meio hospitalar, a avaliação do risco trombótico deve ser sistemática, permitindo identificar doentes candidatos a profilaxia farmacológica (anticoagulantes em dose preventiva) ou mecânica (meias elásticas, dispositivos de compressão).</span></li>



<li><span class="cf0">A mobilização precoce e a hidratação adequada são medidas universais de baixo custo e elevada eficácia.</span></li>



<li><span class="cf0">Em ambulatório, a sensibilização para o estilo de vida ativo e a cessação </span><span class="cf0">tabágica</span><span class="cf0"> são fundamentais.</span></li>
</ul>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"> <span class="cf0">O objetivo do tratamento é evitar a progressão do trombo, prevenir a recorrência e reduzir a mortalidade.</span></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span class="cf0">A </span><span class="cf0">anticoagulação</span><span class="cf0"> constitui a base da terapêutica, com a escolha do fármaco e a duração ajustados ao risco individual.</span></li>



<li><span class="cf0">Em casos selecionados, como EP de alto risco, podem ser necessários métodos de reperfusão (trombólise, embolectomia cirúrgica ou intervencionista).</span></li>
</ul>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"><span class="cf0">Mesmo após a fase aguda, o TEV pode originar complicações de impacto significativo:</span></p>



<ul class="wp-block-list">
<li><span class="cf0">Síndrome </span><span class="cf0">pós-trombótico</span><span class="cf0">, caracterizada por edema persistente, dor crónica e alterações cutâneas.</span></li>



<li><span class="cf0">Hipertensão pulmonar tromboembólica crónica, sequela rara, mas grave da embolia pulmonar.</span></li>
</ul>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"><span class="cf0">O seguimento clínico regular é crucial para identificar precocemente estas situações e otimizar a terapêutica anticoagulante.</span></p>



<p class="pf0 wp-block-paragraph"><span class="cf0">Lembramos que o TEV é uma condição frequente, potencialmente fatal e largamente prevenível. A consciencialização, a aplicação criteriosa de medidas de profilaxia e o reconhecimento precoce dos sinais de alerta são passos determinantes para reduzir a sua carga global.</span></p>



<p class="wp-block-paragraph"><span class="cf0">No Dia Mundial da Trombose e no combate à trombose venosa, a informação e a prevenção são nossas maiores aliadas.</span></p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mieloma múltiplo: avanços representam o desafio de “assegurar o acesso equitativo e atempado às novas terapêuticas”</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/mieloma-multiplo-avancos-representam-o-desafio-de-assegurar-o-acesso-equitativo-e-atempado-as-novas-terapeuticas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Alice Costa]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 10 Jul 2025 12:55:27 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://dev.myhematologia.pt/opiniao/mieloma-multiplo-avancos-representam-o-desafio-de-assegurar-o-acesso-equitativo-e-atempado-as-novas-terapeuticas/</guid>

					<description><![CDATA[<p>Catarina Geraldes, diretora de Serviço de Hematologia Clínica da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, aborda os mais recentes avanços no tratamento do mieloma múltiplo (MM).“O investimento em inovação, capacitação de recursos e logística hospitalar deverá ser articulado com políticas de saúde que reconheçam o valor destas terapêuticas, não apenas pela sua eficácia clínica, [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph"><strong>Catarina Geraldes</strong>, diretora de Serviço de Hematologia Clínica da Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra, aborda os mais recentes avanços no tratamento do mieloma múltiplo (MM).“O investimento em inovação, capacitação de recursos e logística hospitalar deverá ser articulado com políticas de saúde que reconheçam o valor destas terapêuticas, não apenas pela sua eficácia clínica, mas também pelo seu impacto humano e socioeconómico”, reflete.&nbsp; Leia o artigo de opinião.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O mieloma múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica complexa e muito heterogénea, com um curso clínico caracterizado por respostas transitórias e inevitável progressão da doença. Os avanços terapêuticos nas últimas décadas foram notáveis, com a introdução de novos mecanismos de ação: inibidores do proteasoma, imunomoduladores e anticorpos monoclonais anti-CD38, bem como de novas combinações terapêuticas. Apesar de todas estas inovações, os doentes que progridem após exposição a estes três mecanismos de ação (triplos-refratários) apresentam respostas subótimas, geralmente pouco profundas e de curta duração, com uma sobrevivência livre de progressão (SLP) mediana inferior a cinco meses e uma sobrevivência global (SG) mediana que não ultrapassa os 12 meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Contudo, a introdução de estratégias imunológicas altamente específicas e de terapêuticas celulares avançadas reconfiguraram o prognóstico dos doentes com MM triplos-refratário.&nbsp;Estas novas imunoterapias de alta precisão, que incluem&nbsp;os anticorpos biespecíficos (BiTes) e as células CAR-T, representam o início de uma nova era no tratamento do MM, com um impacto direto muito significativo na profundidade e na duração das respostas, na SG e na qualidade de vida dos doentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os&nbsp;BiTes, dirigidos ao BCMA (B-cell Maturation Antigen) ou ao GPRC5D (G protein-coupled receptor class C group 5 member D), atualmente já introduzidos na prática clínica nacional, recrutam linfócitos T e promovem uma citotoxicidade direcionada contra os plasmócitos malignos, nos quais as proteínas BCMA e GPRC5D se encontram altamente expressas. A citotoxicidade desencadeada pelos BiTes é independente da carga tumoral ou das terapêuticas prévias e os dados clínicos são particularmente encorajadores, com taxas de respostas globais consistentes (61–72%), em contextos de doença&nbsp;muito avançada (tripla ou penta-refratária) e com perfis de segurança cada vez mais otimizados. A sua administração subcutânea e o seu perfil de segurança favorável tornam-nos uma opção terapêutica preferencial para utilização sequencial ou combinada, em linhas terapêuticas avançadas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por outro lado, as&nbsp;células CAR-T anti-BCMA, como idecabtagene vicleucel (ide-cel) e ciltacabtagene autoleucel (cilta-cel) apresentam respostas rápidas e duradouras, mesmo após múltiplas terapêuticas. No ensaio clínico CARTITUDE-1, onde se avaliou a utilização da terapêutica com cilta-cel em doentes previamente submetidos a uma mediana de 6 linhas terapêuticas, observou-se uma SLP mediana de 35 meses. Uma única administração demonstrou induzir remissões profundas e períodos prolongados livres de tratamento, um conceito revolucionário no contexto do MM em recidiva/refratário. Estes tratamentos com dose única significam melhor qualidade de vida, menos toxicidades cumulativas resultantes de tratamentos contínuos, menor consumo dos escassos recursos na área da saúde e, acima de tudo, mais esperança para os doentes. Em Portugal, apenas as cilta-cel se encontram reembolsadas e com utilização clínica prevista para breve.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Estes avanços impõem um desafio adicional aos sistemas de saúde: assegurar o acesso equitativo e atempado às novas terapêuticas. O investimento em inovação, capacitação de recursos e logística hospitalar deverá ser articulado com políticas de saúde que reconheçam o valor destas terapêuticas, não apenas pela sua eficácia clínica, mas também pelo seu impacto humano e socioeconómico.&nbsp;</p>
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		<title>Síndrome mielodisplásica: &#8220;O transplante de células estaminais hematopoiéticas a partir de dadores é uma opção cada vez mais importante&#8221;</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/sindrome-mielodisplasica-o-transplante-de-celulas-estaminais-hematopoieticas-a-partir-de-dadores-e-uma-opcao-cada-vez-mais-importante-2/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Super User]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 23 Sep 2024 10:30:32 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de Andreia Gomes, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida, sobre o papel das células estaminais no tratamento da síndrome&#160;mielodisplásica. &#8220;Os autores de um estudo prospetivo de fase II concluem que o sangue do cordão umbilical é uma opção viável para pacientes que podem [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo de opinião da autoria de <strong>Andreia Gomes</strong>, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida, sobre o papel das células estaminais no tratamento da síndrome&nbsp;mielodisplásica. &#8220;Os autores de um estudo prospetivo de fase II concluem que o sangue do cordão umbilical é uma opção viável para pacientes que podem não ter dadores compatível de medula óssea&#8221;, refere.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A síndrome mielodisplásica é caraterizada por um distúrbio da produção de células hematopoiéticas consequência de um conjunto de neoplasias que atinge as células sanguíneas precursoras da medula óssea. Estas alterações podem levar a uma maturação deficiente das células da medula óssea, baixa contagem de células sanguíneas, e risco elevado de evoluir para leucemia mieloide aguda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os sintomas da síndrome mielodisplásica podem incluir palidez, fraqueza e fadiga (anemia); febre e infeções, e aumento de hematomas, petéquias, sangramento da mucosa. O diagnóstico é realizado por exames de sangue, análise da medula óssea e biópsia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento da síndrome mielodisplásica, normalmente, é reservado para pacientes sintomáticos para que se consiga uma melhoria dos sintomas. Desta forma, o tratamento pode passar por cuidados de suporte, quimioterapia e transplante de células de células estaminais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transplante de células estaminais hematopoiéticas a partir de dadores é uma opção cada vez mais importante. Esta importância ainda ganhou mais relevo desde que o transplante de sangue do cordão umbilical foi introduzido como uma opção terapêutica para doenças hematológicas em adultos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um estudo prospetivo de fase II avaliou a eficácia e segurança de transplante de sangue de uma única unidade de sangue do cordão umbilical em pacientes adultos com leucemia e com síndrome mielodisplásica.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transplante com a unidade de sangue do cordão umbilical foi considerado eficaz e, para alem disso, o enxerto de neutrófilos foi observado em 57 pacientes (92 %), as incidências cumulativas de não recaída a 2 anos foram de 18 %. O presente estudo mostrou resultados de sobrevida muito e prognóstico foram favoráveis após o transplante com sangue do cordão umbilical. Desta forma, os autores concluem que o sangue do cordão umbilical é uma opção viável para pacientes que podem não ter dadores compatível de medula óssea.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Este estudo evidencia as características das células estaminais do cordão umbilical como o maior número de células estaminais hematopoiéticas por unidade de volume, a menor imunogenicidade, a menor incidência e a gravidade de doença do enxerto contra o hospedeiro. Estas características associadas a uma colheita não invasiva, indolor e sem qualquer tipo de risco para o dador (mãe e bebé), capacidade de criopreservação sem afetar a qualidade, são algumas vantagens diferenciadoras do sangue do cordão umbilical.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Assim, ao guardar o cordão umbilical em detrimento de o descartar, podemos ter acesso a potenciais tratamentos, uma vez que as aplicações atuais das células estaminais do sangue e do tecido do cordão umbilical apresentam um grande crescimento e foco pela comunidade médica.</p>
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		<title>&#8220;As doações de células estaminais de cordão umbilical podem beneficiar doentes com anemia falciforme&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Super User]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 24 Jun 2024 09:58:48 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>&#8220;O padrão de herança da anemia falciforme é autossómico recessivo. Para casais em risco, nos quais ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença, é recomendado oferecer aconselhamento genético. Esse aconselhamento visa informar sobre o risco de 25 % de ter um filho afetado a cada gravidez&#8221;. Leia o artigo de opinião [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">&#8220;O padrão de herança da anemia falciforme é autossómico recessivo. Para casais em risco, nos quais ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença, é recomendado oferecer aconselhamento genético. Esse aconselhamento visa informar sobre o risco de 25 % de ter um filho afetado a cada gravidez&#8221;. Leia o artigo de opinião da autoria de<strong>&nbsp;Andreia Gomes</strong>, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">A anemia falciforme é uma doença hereditária dos glóbulos vermelhos do sangue causada por uma mutação genética. Esta mutação faz com que as células vermelhas do sangue adquiram uma forma de foice, fazendo com que haja a formação de aglomerados de células o que se traduz num bloqueio de pequenos vasos sanguíneos. Isso pode causar crises de dor, acidente vascular cerebral e danos progressivos crónicos nos órgãos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prevalência estimada de recém-nascidos com anemia falciforme em todo o mundo é de mais de 400 mil casos. É importante ressaltar que a prevalência varia de acordo com a região, sendo maior evidente na população afro-americana. Na Europa, a prevalência média de nascimento é de 1 a cada 2.300, embora isso varie entre os países.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os métodos de diagnóstico utilizados para a anemia falciforme incluem a análise da hemoglobina. Além disso, a triagem de portadores saudáveis, por meio de pesquisas familiares ou populacionais, auxilia na prevenção, mas requer aconselhamento genético prospetivo. O padrão de herança da anemia falciforme é autossómico recessivo. Para casais em risco, nos quais ambos os indivíduos são portadores de uma mutação causadora da doença, é recomendado oferecer aconselhamento genético. Esse aconselhamento visa informar sobre o risco de 25 % de ter um filho afetado a cada gravidez. É importante que estes casais recebam orientações sobre as opções disponíveis, como o diagnóstico pré-natal, para tomar decisões informadas sobre sua saúde reprodutiva.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Opções terapêuticas disponíveis para pacientes com anemia falciforme</strong><br>Atualmente, a única terapia que se traduz em cura para esta doença é o transplante com células estaminais formadoras de sangue de um dador saudável. Essas células estaminais podem ser provenientes da medula óssea, do sangue periférico ou do sangue do cordão umbilical. Os transplantes de células estaminais são cada vez mais considerados como primeira linha de tratamento para crianças e adultos jovens com a forma grave de anemia falciforme. Quando o dador das células estaminais é um irmão compatível, os resultados são excelentes, com uma taxa de sobrevivência livre da doença falciforme de cerca de 90 %. Além disso, novas abordagens para transplantes estão sendo exploradas em ensaios clínicos para pacientes com anemia falciforme que não têm irmãos compatíveis. Outras opções terapêuticas incluem o tratamento de sintomas, transfusões de sangue e medicamentos para controlar a dor e prevenir complicações.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Como é que as células estaminais de sangue do cordão umbilical podem beneficiar pacientes com anemia falciforme?</strong><br>As doações de células estaminais de cordão umbilical podem beneficiar pacientes com anemia falciforme uma vez que podem oferecer uma fonte de células estaminais saudáveis para transplantes. Essas células estaminais podem ser utilizadas na cura da através da substituindo as células doentes por células saudáveis. Isto é, quando um paciente com anemia falciforme recebe um transplante de células estaminais do cordão umbilical de um dador compatível, há a possibilidade de cura da doença, levando a uma vida livre dos sintomas e complicações associadas a esta doença.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transplante de sangue do cordão umbilical apresenta algumas vantagens em comparação com o transplante de medula óssea. Uma das vantagens é que o sangue do cordão umbilical é mais facilmente acessível e menos propenso a causar rejeição ou outras complicações de transplante quando o dador e o recetor não são uma combinação perfeita. Ou seja, as complicações após a infusão do sangue do cordão umbilical são relativamente leves, com uma menor incidência de doença do enxerto contra o hospedeiro (GVHD) comparativamente ao transplante de medula óssea. Isto faz com que se possa pensar que uma unidade de sangue do cordão umbilical é compatível com mais pessoas do que uma unidade de medula óssea. Desta forma, é importante perceber que, em detrimento de rejeitar de descartar após o nascimento, as células estaminais de sangue cordão umbilical podem ser criopreservadas e mantidas em boa qualidade durante anos, representando assim uma importante opção terapêutica para pacientes com anemia falciforme.</p>
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		<title>&#8220;Nos últimos anos, assistiu-se a grandes avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e no tratamento da LMA&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Super User]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Apr 2024 14:37:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de&#160;Delfim Duarte, group leader do i3S, no Porto, sobre o impacto da leucemia mieloide aguda (LMA) na vida dos doentes e qual pode ser o papel dos médicos no seu acompanhamento.&#160; No dia 21 de abril assinala-se o Dia Mundial de Sensibilização para a LMA. É importante discutir [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo de opinião da autoria de&nbsp;<strong>Delfim Duarte</strong>, <em>group leader</em> do i3S, no Porto, sobre o impacto da leucemia mieloide aguda (LMA) na vida dos doentes e qual pode ser o papel dos médicos no seu acompanhamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">No dia 21 de abril assinala-se o Dia Mundial de Sensibilização para a LMA. É importante discutir alguns dados e aspetos desta doença, que tem tido uma incidência crescente, mas um <em>outcome</em> progressivamente melhor.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A LMA é uma neoplasia maligna de células imaturas do sangue (hematopoiéticas) da linhagem mielóide e que tem um crescimento rápido. Em Portugal, há cerca de 190 novos casos por ano. Esta é uma doença rara, ligeiramente mais frequente no sexo masculino, com incidência anual nas crianças de 2-3/100.000 casos e nos mais idosos de 15/100.000 casos. É habitualmente uma doença agressiva, de aparecimento súbito e o seu rastreio em pessoas saudáveis não está recomendado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A apresentação clínica da LMA é frequentemente consequência da perda de células “normais” do sangue, como glóbulos vermelhos (anemia), glóbulos brancos (neutropenia) e plaquetas (trombocitopenia), que causam cansaço fácil, infeções de repetição e sangramento, respetivamente. Nalguns casos, os doentes podem apresentar hiperplasia gengival, alterações da pele ou alterações neurológicas, como resultado da infiltração por células de LMA, designadas blastos. O diagnóstico é feito através de análises ao sangue, biópsia da medula óssea, estudo dos cromossomas, imunofenotipagem e estudos moleculares.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os blastos malignos têm origem na medula óssea, o local onde o sangue é produzido. A origem dos blastos é consequência de alterações genéticas, como mutações, que promovem a proliferação descontrolada e/ou a paragem na diferenciação celular. Nalguns casos, é possível identificar um fator de risco como a exposição a radiação ou quimioterapia prévias. No entanto, a maioria dos casos aparece de forma esporádica, sem fator desencadeante identificado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Após o controlo das complicações existentes ao diagnóstico (como a hemorragia), a prioridade é caracterizar aquele caso particular de LMA. Esta é uma doença muito heterogénea que requer a identificação de alterações genéticas e marcadores celulares específicos. A caracterização e classificação iniciais da LMA têm muito valor prognóstico e informam o tratamento.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento vai depender quer do subtipo de LMA, quer das características do doente. Em doentes “fit” e sem comorbilidades importantes, o tratamento inclui quimioterapia de indução, cujo objetivo é eliminar a grande maioria dos blastos, seguida de tratamento de consolidação com mais quimioterapia intensiva, que pretende eliminar totalmente alguma pouca doença resistente. Nos casos de pior prognóstico e havendo dador disponível, o tratamento de consolidação inclui também o transplante alogénico de medula óssea. Nos doentes mais frágeis e muito idosos, o tratamento passa por medicamentos que não são quimioterapia clássica (como a azacitidina em combinação com o venetoclax) mas que consegue induzir respostas prolongadas em muitos casos.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os doentes que fazem tratamento intensivo, têm como objetivo a cura, mas as complicações potenciais do tratamento e a recidiva explicam a menor taxa de sobrevivência de alguns casos. O tratamento de 2ª linha irá depender do subtipo de LMA e pode passar por quimioterapia intensiva alternativa ou por novos fármacos, como inibidores de FLT3, seguidos de transplante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Nos últimos anos assistiu-se a grandes avanços na compreensão dos mecanismos fisiopatológicos e no tratamento da LMA. É expectável que esse conhecimento se traduza em cada vez melhores resultados para os nossos doentes com LMA no futuro.&nbsp;</p>
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		<title>&#8220;O transplante de células estaminais hematopoéticas já é considerado como terapia padrão em várias patologias&#8221;</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/o-transplante-de-celulas-estaminais-hematopoeticas-ja-e-considerado-como-terapia-padrao-em-varias-patologias/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 12 Feb 2024 10:46:59 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de&#160;Andreia Gomes, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida,&#160;sobre o potencial das células estaminais enquanto opção terapêutica eficaz no cancro pediátrico.&#160; O cancro infantil embora seja menos comum que o cancro em adultos, é a principal causa de morte por doença em crianças.&#160; Em [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo de opinião da autoria de&nbsp;<strong>Andreia Gomes</strong>, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida,&nbsp;sobre o potencial das células estaminais enquanto opção terapêutica eficaz no cancro pediátrico.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cancro infantil embora seja menos comum que o cancro em adultos, é a principal causa de morte por doença em crianças.&nbsp; Em Portugal, os dados disponibilizados pelo Registo Português de Oncologia Pediátrica (ROPP) em outubro de 2022, indicam aproximadamente 370 novos casos de crianças com cancro por ano.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Embora o cancro possa aparecer em qualquer órgão, nas crianças afeta principalmente as células sanguíneas, as células cerebrais e as células do sistema músculo-esquelético. Assim, os tipos de cancro mais comuns em crianças são: a Leucemia, tumores no Sistema Nervoso Central, Neuroblastomas e Linfomas.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">O tratamento do cancro infantil geralmente envolve uma combinação de cirurgia, quimioterapia, radioterapia, imunoterapia e transplante de células estaminais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transplante de células estaminais hematopoéticas já é considerado como terapia padrão em várias patologias como também em alguns cancros pediátricos mais frequentes como por exemplo: leucemia, linfoma, meduloblastoma, neuroblastoma e retinoblastoma. Para além disso, vários ensaios clínicos estão, atualmente, a ser conduzidos em crianças e adultos com tumores sólidos recidivos ou refratários.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar dos riscos envolvidos, o transplante de células estaminais hematopoiéticas tem sido uma opção terapêutica eficaz em muitos casos, levando a curas de doenças graves e prolongando a sobrevivência dos pacientes. A evolução contínua das técnicas de transplante e a melhoria dos cuidados de suporte tornam esta opção cada vez mais acessível e eficaz no tratamento de várias doenças hematológicas e oncológicas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um exemplo destes é o caso de Sarah, uma jovem diagnosticada com uma forma rara e de difícil tratamento de leucemia. Depois de passar por quimioterapia e transplante de células estaminais do seu irmão, Sarah entrou em remissão por 18 meses.&nbsp; Quando a leucemia voltou, pela terceira vez, os médicos sugeriram que ela participasse no ensaio clínico GRANS realizado no Royal Manchester Children’s Hospital (RMCH) que consistiu num transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical, juntamente com uma série de transfusões de glóbulos brancos. Agora com mais de um ano de remissão, a equipe da RMCH e a família têm esperança que este novo tratamento tenha curado a leucemia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sarah é uma das cinco crianças do estudo que estão vivas e em remissão como resultado deste tratamento experimental eficaz. Sem este ensaio clínico, é improvável que alguma das crianças ainda estivesse viva.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao optar por guardar ou doar o cordão umbilical, ganha-se uma possibilidade terapêutica atualmente praticada no tratamento de várias patologias, nomeadamente cancro pediátrico. Ao não guardar podemos estar a desperdiçar este potencial agente terapêutico.&nbsp;</p>
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		<title>Um em cada cinco portugueses sofre de anemia</title>
		<link>https://myhematologia.pt/opiniao/um-em-cada-cinco-portugueses-sofre-de-anemia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sara Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 27 Nov 2023 10:36:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No âmbito do Dia Nacional da Anemia, assinalado ontem, 26 de novembro, a Dr.ª Ana Farinha, nefrologista no Hospital de Vila Franca de Xira e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, alerta para esta patologia que, de acordo com os dados do estudo EMPIRE, afeta um em cada cinco portugueses e é uma [&#8230;]</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="wp-block-paragraph">No âmbito do Dia Nacional da Anemia, assinalado ontem, 26 de novembro, a <strong>Dr.ª Ana Farinha</strong>, nefrologista no Hospital de Vila Franca de Xira e membro da direção da Sociedade Portuguesa de Nefrologia, alerta para esta patologia que, de acordo com os dados do estudo EMPIRE, afeta um em cada cinco portugueses e é uma complicação muito frequente da doença renal crónica (DRC), que afeta um em cada dez portugueses, de acordo com o estudo RENA.</p>



<p class="wp-block-paragraph">De acordo com dados do estudo EMPIRE, a anemia afeta um em cada cinco portugueses e é uma complicação muito frequente da doença renal crónica, que afeta um em cada dez portugueses, de acordo com o estudo RENA. Apesar de ambas as condições serem comuns, os sinais e sintomas são inespecíficos, de instalação lenta e progressiva e, como tal, podem passar despercebidos. A anemia associada à doença renal crónica tem forte impacto na qualidade de vida, mas também contribui para a mortalidade, sobretudo cardiovascular, para a morbilidade e para os elevados custos em saúde atribuídos à doença renal crónica.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Neste Dia Nacional da Anemia, a Sociedade Portuguesa de Nefrologia salienta estas duas condições clínicas, ambas problemas de saúde pública&nbsp;pouco reconhecidos, subdiagnosticados e subtratados.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o objetivo de identificar, diagnosticar e tratar precocemente a doença renal crónica e prevenir a anemia, alguns grupos de risco, como doentes com diabetes&nbsp;<em>mellitus</em>, hipertensão arterial, doença autoimune ou oncológica, devem ser acompanhados regularmente. Além disso, a identificação precoce destas duas patologias&nbsp;deve estar enquadrada numa política nacional de saúde e de governação clínica com vista a garantir, de forma equitativa,&nbsp;o acesso&nbsp;à resposta mais adequada a todos os casos que padecem de anemia e doença renal crónica.</p>
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		<title>&#8220;O transplante de células estaminais é já uma realidade de tratamento para alguns tipos de cancro como a leucemia e linfoma&#8221;</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sara Sousa]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 18 Sep 2023 10:19:34 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[células estaminais]]></category>
		<category><![CDATA[leucemia]]></category>
		<category><![CDATA[linfoma]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Leia o artigo de opinião da autoria de Andreia Gomes, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida, acerca daquele que é o papel das células estaminais no tratamento de tipos de cancro como&#160;a leucemia e linfoma.&#160; Entre várias caraterísticas, as células estaminais apresentam uma enorme versatilidade, capacidade de autorrenovação e de [&#8230;]</p>
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<p class="wp-block-paragraph">Leia o artigo de opinião da autoria de <strong>Andreia Gomes</strong>, diretora técnica e de Investigação e Desenvolvimento e Inovação da BebéVida, acerca daquele que é o papel das células estaminais no tratamento de tipos de cancro como&nbsp;a leucemia e linfoma.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Entre várias caraterísticas, as células estaminais apresentam uma enorme versatilidade, capacidade de autorrenovação e de diferenciação (especialização) em vários tipos celulares. O cordão umbilical tem provado ser uma fonte válida e rica em células estaminais, cuja colheita é fácil, indolor, não invasiva e totalmente segura para a mãe e para o bebé. As células estaminais provenientes do cordão umbilical acabam por ter algumas vantagens face a outras fontes de células estaminais como, por exemplo, a facilidade de colheita, a disponibilidade imediata para transplante, a não exigência de uma compatibilidade rigorosa (maior tolerância nos fatores de compatibilidade HLA), assim como um menor risco de desenvolver doença do enxerto contra o hospedeiro, uma complicação potencialmente fatal dos transplantes hematopoiéticos alogénicos (em que o dador e o recetor são pessoas diferentes).</p>



<p class="wp-block-paragraph">O transplante de células estaminais é já uma realidade de tratamento para alguns tipos de cancro como a leucemia e linfoma. Estes dois tipos de cancro desenvolvem-se quando as células sanguíneas saudáveis ​​começam a dividir-se de forma descontrolada e anormal. A leucemia normalmente desenvolve-se nos linfócitos, mas também se pode desenvolver nas células mieloides. As células cancerosas da leucemia podem assim, espalharem-se por todo o corpo, mas afetam principalmente a medula óssea e o sangue. Existem vários tipos de leucemia. Alguns tipos de leucemias são agudas, o que significa que crescem rapidamente outros tipos são crónicos ou de crescimento lento. De forma semelhante a algumas formas de leucemia, o linfoma começa nos linfócitos. No entanto, ao contrário da leucemia, o linfoma geralmente afeta os gânglios linfáticos e outros órgãos, em vez da medula óssea. O linfoma é dividido em dois tipos principais e vários subtipos. Os principais tipos de linfoma são o linfoma de Hodgkin e o linfoma não-Hodgkin.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 2018, de acordo com o <em>Global Cancer Observatory</em>, a leucemia foi destacada como o 15.º cancro mais diagnosticado e a 11.ª principal causa de mortalidade por cancro em todo o mundo, sendo responsável por 437.033 casos de cancro incidentes e 309.006 mortes por cancro. Relativamente ao linfoma não-Hodgkin, foram diagnosticados 509.590 novos casos e foram estimadas 248.724 mortes por linfoma não-Hodgkin. Os tratamentos destes tipos de cancro variam dependendo do tipo desenvolvido. A taxa de sobrevivência de cinco anos para todos os tipos de leucemia combinados é pouco menos de 66 %.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E aqui é quando surge a pergunta: “E o transplante de células estaminais do sangue do cordão umbilical é uma ferramenta considerada para tratar leucemias ou linfomas?”. E, de facto, a resposta é: sim.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Os transplantes de células estaminais com sangue do cordão umbilical têm sido utilizados para curar crianças e adultos com leucemia desde o início da década de 1990. Foram contabilizados mais de 45 mil transplantes de sangue do cordão umbilical, e a maioria deles foi para leucemias e linfomas.&nbsp; Em 2016, um estudo publicado no <em>New England Journal of Medicine</em>, comparou transplantes de sangue do cordão umbilical com transplantes de medula óssea para pacientes com leucemia. Os dois grupos tiveram uma sobrevivência pós-transplante comparável, mas os pacientes com sangue do cordão umbilical tenderam a viver mais tempo e, mais importante ainda, os pacientes tratados com sangue do cordão umbilical apresentaram menos probabilidade de recaída.&nbsp;</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar de ter uma designação associada a um estigma de gravidade, atualmente, o diagnóstico deste tipo de cancros é baseado nos sintomas, e da mesma forma a outros cancros, a deteção precoce e o tratamento da leucemia ou do linfoma conduzem frequentemente a melhores resultados. Os tratamentos variam dependendo do tipo de leucemia ou linfoma, sendo o transplante de células estaminais um deles.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Desta forma, guardar o cordão umbilical em detrimento de o descartar, representa:&nbsp; facilidade e segurança na colheita das células estaminais, sem risco ou desconforto para a mãe e para o bebé; maior tolerância nos fatores de compatibilidade HLA; menor risco de desenvolver doença doenças graves do tipo do enxerto contra o hospedeiro; acesso imediato às células (uma vez que estas estarão guardadas num banco de células estaminais) e, portanto, consegue-se ter a possibilidade de tratamento mais imediato, o que pode é vantajoso para transplantes urgentes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por todos estes motivos, é importante refletir e avaliar de forma mais atenta o que a criopreservação de células estaminais do cordão umbilical pode representar no combate a problemas de saúde.&nbsp;</p>
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